sábado, 26 de maio de 2012

Re-criar é mudar!


O Movimento Dulcynelândia surgiu do encontro de artistas para comemorar o centenário da atriz Dulcina de Moraes no inicio de 2008, na cinelândia na porta do Teatro que encontrava-se fechado.
Pensou-se então em uma ação que pudesse chamar atenção da classe artística e das autoridades para o descaso e fato do teatro Dulcina estar fechado no ano do seu centenário.
Chamamos de CHUTE.
Uma ocupação artística nascida no Rio de Janeiro, na Cinelândia. Parida dia 20 de julho. O objetivo inicial era reunir artistas e mobilizar o público aos domingos para apresentações, num encontro que representasse  a conscientização dos artistas e do público para a administração equivocada do Teatro Dulcina.
Estabelecemos um canal de comunicação com a Funarte, então responsável pelo espaço. Tivemos nossos momentos, fomos ouvidos, participamos do manifesto que derrubou o presidente na época, Celso Frateschi, abrindo novos caminhos, fomos a reuniões, tínhamos propostas, e mostramos a eles. Falar e dialogar já não bastava, faltava a ação por parte do poder publico!
No dia 5 de Dezembro de 2008, no aniversário do Teatro Dulcina, entramos no teatro fechado. “Chutamos” a porta, com respaldo da FUNARTE, representada por Sergio Mambert, e fizemos um CHUTE lá dentro, em meio aos entulhos de um teatro em desuso, com a participação da ocupação Manuel Congo, nossos parceiros de sempre, de artistas como Ava Rocha, Quinho e muitos outros, que doaram o seus bens mais preciosos, suas artes! Dulcina não é apenas o nome daquele teatro. Dulcina dedicou toda a sua vida, na construção do que acreditava ser muito mais do que apenas um espaço para apresentações de peças, de grupos e companhias.
No início do ano de 2009 recebemos um telefonema da diretoria da FUNARTE convocando todos do Dulcynelândia para uma reunião com o presidente, no prédio Gustavo Capanema no Rio. As propostas para a reabertura e como deveria funcionar o Teatro Dulcina foram discutidas. Ao final da reunião Sérgio Mamberti concluiu levantando três questões: pensar no teatro não só como um palco para apresentações, mas como um ambiente de troca social (!), pensar na criação de um modelo que a ser repetido no resto do país e pensar num espaço para além das capitais, que não seja colonizador, que ele retire e possibilite todos retirarem de si a cultura e o desejo através da oportunidade para o conhecimento, que é encontro, festa, fé, alegria pelo teatro, cinema, educação e cultura.
Continuamos o ano com ações e CHUTEs em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Aconteceram mais 5 CHUTES, em São Paulo com o encontro do Bixigão, Teatro Oficina, artistas e moradores. No Rio a parceria entre o Ducynelândia e os moradores do entorno do teatro Dulcina através da Ocupação Manoel Congo foi maior, promovendo ações artísticas de dentro da ocupação para a rua.

2010 foi um ano de estudos e entendimentos.
E novamente mudanças na Funarte.

Em 2011 o teatro Dulcina/Regina foi reinaugurado. Uma cerimônia pomposa, que contou com a presença do atual presidente da Funarte, Antonio Grassi, além de muitos outros artistas globais, servidos de champanhe e canapés, com faixa de segurança, tapete vermelho e holofotes. Mas, o bom senso nos leva a crer, que não é justo, numa ocasião importante como é a reabertura de um teatro histórico, após 10 anos, ignorar que logo em frente, do outro lado da rua, existe um edifício, onde habitam 40 famílias, a ocupação Manoel Congo. Como é possível ignorar tal fato? Há relatos de moradores que foram grosseiramente acuados por policiais que faziam a segurança local no dia. Como é possível? O Sr. Presidente da Funarte, sequer deu boa noite aos curiosos moradores, que de longe avistavam a “festinha”, quando segurando uma taça de champagne, entrou no seu carrão oficial, que estava parado em frente a ocupação.
 O ponto que queremos colocar, é que um espaço com um poder agregador, como é o do Teatro Dulcina, não pode ficar restrito a uma mera cerimônia de abertura, a grupos ocupando-os através de um edital, apresentando seus espetáculos e indo embora. É preciso que os teatros, não só do Rio de janeiro, como no Brasil de uma forma geral, estejam inseridos num espaço urbano, público, e que, portanto, inseridos no ambiente social que o cercam.
É preciso cuidar de teatro como Teatro.
É preciso que sejam ocupados integralmente com arte, com amor, com cuidado e acima de tudo respeito. Abrir seus espaços e pautas vagas para artistas, para a troca e aproximação com o entorno do teatro.
Como dizia Dulcina “Através da arte e do amor podemos tudo! A vida é amor!
Dentro do teatro, até pregar um prego no sarrafo é fascinante!”

Teatro só se faz com aproximação, com amor.

Por esse motivo o Movimento Dulcynelândia volta agora à porta do Teatro Dulcina, transformando o CHUTE em RECREIO, aproximando o entorno e “completando” horários vagos do Teatro com arte, na Rua Alcindo Guanbara, a exemplo das ações realizadas por Dulcina de Moraes em 1960, em que sua intenção era popularizar o teatro e aproximar o público, transformando a rua em um pequeno recreio de crianças ávidas da curiosidade de ver, muitas pela primeira vez, um espetáculo.

Por isso chamamos a todos para estarem na Rua Alcindo Guanabara!
Com suas artes, comunicações e interesses. Para estabelecer essa comunicação com os artistas, o público e novamente com a Funarte. Para conhecermo-nos, estreitando ainda mais os laços já atados nesses 4 anos.
No rito. Na ágora.

EVOÉ !

MERDA!

sexta-feira, 18 de maio de 2012


Em 1960 a montagem de "Vamos a Belém" no Teatro Dulcina foi uma das iniciativas de Dulcina de Moraes para popularizar o teatro e voltava-se para um público nitidamente infantil e as manhãs de domingo faziam da Rua Alcindo Guanabara um pequeno RECREIO de crianças ávidas da curiosidade de ver, muitas pela primeira vez um espetáculo.

O 16º CHUTE será o 1º com a porta do TEATRO DULCINA aberto.
das 14h às 18h, na Rua Alcindo Guanabara - Cinelândia - Centro - Rio de Janeiro


FLICTS - Mariana Jacques
PIERROT, ARLEQUIM e COLOMBINA - Teatro Trupiniquim
BICICLETA FUNANA - ?! 
PALCO ABERTO [calçada aberta] - quem quiser se apresentar


A partir das 19h ENTREM NO TEATRO !!
Assistam ao espetáculo "Fora do Ar" - do projeto DULCINA ABRAÇA O SUL

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Reabertura do Teatro Dulcina 2011


" A SOLENIDADE "


“O teatro brasileiro precisa ser moralizado. Não falo da moral de cada um, que já é coisa particular e não entra no âmbito de minhas cogitações. Estou falando de moral de classe. É preciso devolver, se já tivemos, ou criar, se ainda não conhecemos, a ética profissional dentro do teatro. E para tanto só existirá um meio: unir a classe.”
DULCINA DE MORAES - 1957

Após 10 anos fechado, o teatro foi finalmente reinaugurado e será ocupado artisticamente. O fato, é que as questões que envolvem a ocupação do Teatro, no centro do Rio, nos fazem desconfiar da máquina do poder público.
No dia 31 de maio, a Funarte publicou o edital (nacional) de ocupação dos espaços de artes cênicas do Rio de Janeiro, Minas Gerais e outras cidades. Foram 45 dias para elaborar o projeto de meio milhão, e apenas em 12 dias foi possível analisar e selecionar projetos de todo o país?
No caso do Teatro Dulcina, logo após o término das inscrições (dia 17 de julho), o jornal O Globo, publicou no dia 18 de julho uma matéria sobre a reinauguração do Teatro, que já tinha uma programação. Na ocasião, o presidente Antônio Grassi, mostrava-se orgulhoso, com o feito. Um elenco “estelar” compõe as primeiras apresentações do teatro. Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Bibi Ferreira, e até o Peter Brook. Incrível não é mesmo?

Poderia ser.

Dia 2 de agosto de 2011, aconteceu a grande festa de reabertura do teatro. Grande em todos os sentidos; grandes refletores em toda a fachada, tapete vermelho, fita isolante, champanhe, e tudo mais. Junto com Samuel, morador da Ocupação Manoel Congo, que fica em frente ao teatro, recordávamos melancólicos, o dia em que adentramos o teatro com todas as outras crianças e moradores da ocupação, numa comemoração pelos cem anos de Dulcina e 75 do Teatro. Perguntado se tinha vontade de entrar novamente no teatro e ele prontamente respondeu que sim, mas achava que agora ia ser mais difícil com todos aqueles artistas. Nas pausas da nossa conversa, ele, atento, mostrava aos pais um ou outro artista que ele vira na TV: - Olha mãe, é aquele cara do zorra total! Os olhos brilhavam.
Não demorou para que o Samuel e sua irmã Samara, fossem para o outro lado da rua, limitados apenas pela fita que separava os convidados dos demais. Samuel conversava com o segurança, o menino contava excitado todas as atividades que fazia: capoeira, coral, percussão, e perguntou ao segurança se ele conhecia a música de Heitor Villa Lobos, o trenzinho do caipira. E cantou. Bem ali, diante do nariz daqueles que o ignoravam e barravam a sua entrada.

Como meros observadores do espetáculo do quem phode mais, ficamos nos perguntado, onde estará a relação com o entorno e a formação social de plateias , exigência do edital, no projeto que foi contemplado? Mas, ficamos só ruminando mesmo, já que não temos acesso ao conteúdo do projeto mesmo que este tenha sido premiado com dinheiro público. Ou podemos ter?

A questão surgiu, após pesquisar um pouco sobre a Menescal Produções Artísticas, premiada, representada por Celso Lemos, membro do conselho fiscal e sócio efetivo da Ass. dos produtores de teatro do Rio de Janeiro (APTR). Também, fazem parte da instituição as mesmas, Fernanda Montenegro, Marilia Pêra que irão se apresentar na semana de inauguração da sala. Ainda compondo o quadro do “colegiado da associação”, estão os grandes empresários do teatro para os ricos, Teatro do Leblon, Teatro dos quatro, e todos os outros. Mas isso é outra questão. Qual a relação dos personagens na trama, gostaríamos muito de saber, esperamos que o Sr. Presidente da Funarte possa responder.

Não precisou de muito esforço pra entender que é tudo uma questão de poder. A velha premissa do “manda quem pode, obedece que tem juízo”. Mas, juízo ainda nos falta um tanto, por isso nos atrevemos a questionar as escolhas da Funarte. Muito embora o façamos para que esse novelo de palavras não vire câncer nas bocas inquietas!

É muito importante que todos consigam realizar nos corpos a revolução da educação. Revolução do sistema de ensino, para um espaço de troca e forma de obter conhecimento. Revolução não é o algo subterrâneo acontecendo escondido pra se fortalecer. Revolução é revolução, como diz Ernesto Guevara, e tem que estar em praça pública, de abscesso aberto.

"Em 1960 as encenações de Vamos a Belem, uma iniciativa voltava-se para o público infantil e as manhãs de domingo faziam da Rua Alcindo Guanabara um verdadeiro recreio de crianças ávidas da curiosidade de ver, muitas vezes pela primeira vez um espetáculo.
...Algo que correspondia aos interesses da Fundação , levar o tetrao a locais e a comunidades que jamais teriam decerto, condições de assistir a um espetáculo."
SÉRGIO VIOTTI

Em 2008, nós do MOVIMENTO DULCINELÂNDIA, em homenagem à atriz Dulcina de Moraes, ocupamos artisticamente a calçada da rua Alcindo Guanabara junto com a Ocupação Manoel Congo, lutando pela reabertura do Teatro Dulcina, que abrigou a primeira universidade de artes do país nos anos 50. Hoje fica claro que a antropofagia impetuosa do Movimento Dulcynelândia, de comer Dulcina acabou engolida pela burocracia institucional desse país.

Não somos um grupo ou companhia querendo ocupar o teatro com nossas peças/trabalhos, dos nossos umbigos artísticos. Não façamos do Regina-Dulcina cabo eleitoral, para projeto de uma única eleição. É maior. Está essencialmente ligado à transformação do ser humano. Não interessa só à classe artística. Interessa a todos que queiram mudar o que não dá certo.

Ali onde foi pensada e iniciada, a primeira Universidade de Arte e Teatro do Brasil, nos chama para uma ação antropofágica. Esse é o chamado, é a deixa. Artistas, moradores, educadores, comunicadores, arquitetos, estudantes, jovens, crianças, pretos velhos, todo mundo caminhando junto. Para mudar, para crescer e se ser feliz. Com amor, com axé, com liberdade.


“ ...o que eu desejo ardentemente é que toda essa busca, esta pesquisa e inquietação, nos conduzam à uma realização da verdade.

Que o teatro encontre a palavra para dizer; o gesto para fazer.”

DULCINA DE MORAES

quarta-feira, 20 de julho de 2011

TEATRO DULCINA ABRE AS PORTAS EM AGOSTO

O Edital de Ocupação para o Teatro Dulcina 2011, proposto pela Funarte, tem como Objetivo ocupar o teatro de SETEMBRO a DEZEMBRO de 2011. As inscrições foram encerradas no dia 17 de julho de 2011. No dia seguinte, dia 18 de julho de 2011, foi publicado no jornal O Globo a PROGRAMAÇÃO do Teatro Dulcina, para agosto e SETEMBRO de 2011.

“O teatro brasileiro precisa ser moralizado. Não falo da moral de cada um, que já é coisa particular e não entra no âmbito de minhas cogitações. Estou falando de moral de classe. É preciso devolver, se já tivemos, ou criar, se ainda não conhecemos, a ética profissional dentro do teatro. E para tanto só existirá um meio: unir a classe.”

:: DULCINA DE MORAES 1955 ::

Chega junto

dulcynelandia@gmail.com

Imagens de dentro do Teatro Regina-Dulcina


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